Totalitarismo e Anarquia na internet

Se você já passou pela alegria de baixar programas, CDs, filmes, séries e legendas e pela tristeza de ter seu computador infectado por vírus e perder valiosos arquivos de seu HD, esta discussão tem tudo a ver contigo.

Existem duas correntes decidindo os rumos da tecnologia hoje: a corrente das corporações e a corrente do ambiente 2.0. A corrente 2.0 é representada por Wikipedia, eMule, Torrents, Youtube, Twitter e Linux e revolucionou os conceitos de comunicação, compartilhamento e criação e subtraiu uma enorme fatia dos mercados de gravadoras, rádios, TVs, locadoras, revistas, jornais, empresas aereas e telefonia. E a corrente das corporações, representada por empresas como Microsoft, Apple e Google que se aproveitou desse ambiente rico em trocas do 2.0 e começou a oferecer organização e confiabilidade para o sistema.

Mas o que isso tem a ver com anarquia e totalitarismo? Apesar de ser uma comparação radical ela nos ajuda a entender do que estamos falando aqui: da oposição e codependência entre ordem e caos.

Vimos na história diversos regimes políticos surgirem e ruírem em ambos os extremos. Sistemas como o comunismo soviético ou o Nazismo que ofereciam controle e segurança num contexto caótico pós crise de 1929 e emergiram e morreram no mesmo século. Foram incapazes de promover mais inovação tecnológica que seus concorrentes, de coexistir pacificamente com outros sistemas diferentes ou de vencê-los por meios militares. Do outro lado também sistemas econômicos excessivamente liberais e desregulamentados ruíram como o capitalismo americano pré 1929 e 2008. Podemos entender que de modo geral (ou pela seleção histórica) as pessoas preferem um meio termo entre os dois. Preferem um sistema democrático que permita a liberdade individual e a criatividade sem deixar de oferecer uma ordem mínima que dê regras e segurança para o sistema.

Algo próximo disso está acontecendo com a internet. Estamos vendo as grandes corporações terem pretensões parecidas com o sonho de Hitler de um único império e um único povo. São as pretensões de monopolização e padronização da experiencia. Apple e suas iCoisas, Google e suas GCoisas. A Apple vende produtos como o iPod, que funciona exclusivamente com o iTunes e sua loja virtual e notebooks que só podem rodar sistema Mac. E já chegou a rastrear e inutilizar produtos desbloqueados como fez com o iPhone e agora tem pretensões sobre a midia impressa e jornais com o seu iPad.

Do Google vemos a cooperação com a censura na China, a falta de transparência do sistema de buscas (o maior do mundo) e ações de marketing forçadas como empurrar o Google Buzz nos seus usuários pelo Gmail, invadindo a liberdade de escolha, privacidade e gerando alguns processos.

Porque os usuários aceitam isto?

Como explicou a coluna do Gizmodo, existe uma grande quantidade de usuários que prefere a simplicidade e confiabilidade que estas empresas oferecem. Em geral pessoas de mais idade, mais dinheiro e menos tempo que preferem comprar do iTunes a aprender a usar o Soulseek ou Rapidshare. Um mercado que vem crescendo mas que ao meu ver será limitado. Por que?

Porque em breve as pessoas terão menos medo da tecnologia do que tem hoje. As crianças começam a ter contato com a tecnologia cada vez mais cedo. Os atrativos da qualidade, confiabilidade, integração não serão suficientes para conter a constante necessidade de personalização e os usuários serão cada vez mais intolerantes a sistemas que incapazes de dialogar com outros. Fabricantes de hardware e empresas de telefonia já estão iniciando consórcios para desenvolver sistemas para competir com a Apple e Google. E juntos eles terão muita força nisto.

Nos PCs ainda é possível alguém desenvolver apenas para Windows. Mas na nova fronteira da mobilidade, os smartphones, nenhum sistema predomina e nenhum pode ser ignorado. Esta é uma oportunidade para empresas que souberem dialogar com o ambiente 2.0 se encaixarem entre as brechas das gigantes e confortavelmente mediar a briga entre elas. Um exemplo é o navegador Firefox, que não é unanimamente o melhor, mas é o segundo mais usado, tendo versões Windows, Mac, Linux e Mobile, tendo uma presença que nenhum outro tem e a resposta mais rápida às novas tendencias da web.

Num futuro não tão distante, onde sua TV digital, seu computador, seu tablet, seu telefone, seu relógio, e seu carro tiverem sistemas sofisticados e acesso à internet 3G (ou 4G) você vai querer todos eles brigando entre si ou cooperando em seu favor?

Nos próximos posts falaremos mais sobre as estratégias das empresas envolvidas nesta briga, Apple, Google, Nokia, Microsoft e Intel.

Acompanhe!

2 responses to this post.

  1. É isso ae meu caro.
    Mas cadê esse próximo post que não sai?

    Responder

  2. […] atrás. Mas dadas certas características sobre as escolhas dos indivíduos, como argumentei em outro post, não passa de ilusão achar que podem repetir o feito da Microsoft. Os indivíduos, quando se […]

    Responder

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